Em mais uma reportagem feita com o Ed quando estava no Brasil, desta vez trazemos entrevista realizada pelo site Vagalume. A transcrição foi postada pelo próprio site e também pode ser assistida no vídeo que colocamos logo abaixo:

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O Vagalume teve a chance de bater um papo exclusivo com uma das maiores estrelas da música atual. Ed Sheeran recebeu a nossa reportagem um pouco antes de subir ao palco do Allianz Parque na noite deste domingo (28) e foi bastante simpático.

Falando principalmente sobre as suas letras favoritas, mas também sobre outros assuntos sempre com bom humor no papo que está no vídeo abaixo.

Leia a transcrição da conversa na íntegra

Qual a sensação de cantar para milhares de pessoas em países como Brasil, Peru ou Chile, onde, muitas vezes eles sequer sabem sobre o que você está falando?
A sensação de tocar para pessoas que talvez não saibam sobre o que você está falando, eu acho que a música é toda sobre sentimento… tem uma banda alemã chamada Rammstein, e eu não falo alemão, mas eu tinha os discos deles quando era mais novo.

Eu gostava da sensação de ouvi-los e eles faziam um show que era, tipo, fenomenal, a coisa mais sensacional que você já viu em sua vida, junto com aquela música poderosa. Eu não tenho a menor ideia sobre o que eles estão cantando em absoluto, mas eu fico excitado…

É um pouco como “Despacito” do Luis Fonzi que está no topo da parada britânica. A Inglaterra não tem uma comunidade hispânica muito grande. Há (alguns) espanhóis vivendo lá. Eu posso entender o sucesso de “Despacito” na América porque há muita gente que fala espanhol lá, mas na Inglaterra, são pessoas que nem eu, meus amigos e gente assim que estão ouvindo a música e tudo diz respeito ao sentimento.

Eles podem ouvir esse sentimento em uma canção e acho que é por isso que ela está fazendo tanto sucesso. Então acho que a língua não tem importância na música. Se você conseguir fazer com que as pessoas sintam algo, ela vai funcionar.

Qual a canção de “÷” com a qual você se sente mais próximo, mais orgulhoso?

Em termos de letra, a que mais me sinto orgulhoso é “Perfect”. Essa necessitou ser bastante reescrita, foram necessários muitos retornos a ela, para melhorá-la e achar versos diferentes que podiam ser mudados, para que ela fizesse mais sentido. Tem um verso em que eu digo “ela divide meus sonhos, espero que um dia eu possa dividir a sua casa”, e me lembro de ter escrito uma vez, “espero que ela divida a minha casa” e pensei que seria muito mais forte dizer “a casa dela”, o que a deixou mais equilibrada.

Essa foi a música que você mais lutou para escrever? Ou teve mais alguma outra?
Para “Eraser” eu escrevi muitos versos para ela. A gravação tem dois dos seis versos que escrevi para a música, então escrevi muito para essa. A melodia veio rápido, a música deve ter me tomado uns 20 minutos para criá-la, mas a letra levou bastante tempo.

Ainda sobre o ato de compor, você já experimentou algum tipo de bloqueio criativo?
Eu acho que essa coisa de bloqueio criativo não existe. Eu acredito que basicamente há momentos em que você consegue e outros em que não consegue escrever. Eu acho que o”bloqueio criativo” acontece quando se tenta forçar a criação. Então todas as vezes em que tentei me forçar a escrever uma música, foi quando experimentei isso que as pessoas chamam de “bloqueio criativo”.

Quando isso acontece, eu digo que “obviamente eu não estou no clima para compor, vamos deixar isso para lá um pouco mais”. Depois de um mês eu volto para ela e vejo se as coisas funcionam. Às vezes o clima está bom para compor e em outros não, e você não deve forçar, sabe, tentar arrancar uma canção de você. A única maneira de uma música sair de você, é quando a hora é a certa.

Uma canção que nos chamou a atenção no novo disco foi “What do I Know”. Eu queria que você falasse sobre essa letra e de sua importância no mundo em que vivemos agora
Eu acho que “What Do I Know”… na verdade eu queria chamá-la de “Canção Covarde” porque ela não oferece nenhuma decisão ou tem alguma opinião, e ela chega à conclusão de que eu não deveria extrapolar os meus limites, porque eu sou um entertainer e a minha função é a de fazer as pessoas felizes. Então escrever uma canção sobre “todas as pessoas amando-se umas as outras” fez mais sentido para mim.

Então ela não é um grande manifesto político, não sou eu dizendo… “façam isso, ou façam aquilo”, é apenas eu chegando à conclusão de que a minha função é a de fazer as pessoas felizes e é por isso que elas escutam a minha música.

Algumas pessoas escutam músicas para tirar algum significado político delas, ou algo que instigue alguma rebelião, mas honestamente acho que as pessoas escutam as minhas música como uma forma de escapismo disso tudo. E eu em um pedestal falando sobre esse tipo de assunto não seria visto como algo bom. E é basicamente sobre isso que fala a canção, sobre eu chegando a essa conclusão.

Você conhece algo de música brasileira?
Minha primeira introdução à música do Brasil, veio com o filme “Cidade de Deus”, que eu assisti muito quando era jovem. Então qualquer canção que estava lá… eu conheço as músicas, mas eu não saberia dizer quem as canta (risos). E depois eles fizeram a série “Cidade dos Homens”, a trilha dela também

Um pouco de funk, um pouco de samba…
Eu não acho que nada ali era moderno

Eu queria que você falasse sobre a primeira impressão que teve do Brasil, através do “Cidade de Deus” e a que tem agora, depois já ter vindo para cá duas vezes
A única coisa que eu conhecia do Brasil quando era criança era o Ronaldo, o time que ganhou a Copa do Mundo, grande futebol. E depois vendo filmes brasileiros e notando que aqui havia muito talento não só musical, pelas trilhas sonoras, mas também nas áreas de atuação e direção. Porque há muitos filmes brasileiros excelentes. Então, na minha adolescência o que eu conhecia era o futebol e o cinema. E agora, chegando para visitar, culturalmente, as pessoas são muito acolhedoras, a comida é excelente… eu não fiz nada além de comer aqui. Há também muita comida japonesa aqui.

As pessoas adoram
Em todo lugar que eu fui tinha sushi no cardápio, até em um restaurante brasileiro tinha sushi (risos). Eu sempre me sinto muito bem vindo aqui e por isso irei voltar continuamente.

O dia dos namorados no Brasil é celebrado em junho
É mesmo? Por quê?

Eu não faço a menor ideia (risos)

Então muita gente provavelmente dirá “eu vou dar um CD do Ed para o meu namorado ou namorada”
Façam isso! (risos)

Então queria saber se você teria alguma sugestão de presente além de um disco seu.
A minha melhor sugestão, e sei que isso é a coisa errada de se dizer, mas a minha melhor dica é a de não tratar o dia dos namorados como o dia especial de vocês. Todas vez que chega o dia dos namorados para mim e a minha garota, é apenas um dia como outro qualquer. Você deve tratar todos os dias do ano como dia dos namorados.

Não saia para jantar apenas uma vez no ano. Esteja certo de fazer isso, umas ou duas vezes por semana, vão ao cinema, saiam para caminhar, conversem, façam um jantar em casa, abram uma garrafa de vinho… todas as coisas que você iria fazer no dia dos Namorados… cancele e faça isso de forma mais constante, faça disso uma coisa semanal e não anual.

E não se esqueçam que o Dia dos Namorados foi inventado pela Hallmark para vender mais cartões. Lembrem-se disso.

No final pedimos para ele deixar uma mensagem para os seus fãs que acessam suas letras no site. E foi isso o que ele falou:

Oi aqui é o Ed Sheeran no Vagalume que é a tradução de Firefly e estamos aqui falando sobre as minhas letras e eles estão fazendo um grande trabalho fazendo as traduções delas, então fiquem ligados!

Fonte: Vagalume