Agora que os shows do Ed no Brasil passaram, nosso site será atualizado com entrevistas que saíram enquanto ele ainda estava por aqui. Abaixo, a primeira delas: uma entrevista bem bacana que o ruivo concedeu à Folha de São Paulo no backstage do show de Curitiba!

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Quando Ed Sheeran, então com 24 anos, lotou três noites no Estádio de Wembley –um recorde para um artista solo–, em 2015, pensou que finalmente precisaria de uma banda. Já não dava mais tempo.

O inglês subiu ao palco acompanhado apenas de suas guitarras e de seu loop pedal, a varinha mágica que permite com que, sozinho, faça ao vivo o que muita “big band” não consegue nem em estúdio.

Com engenhosa habilidade, gravou no pedal as diversas camadas de cada faixa de “x” (ou “Multiply”), seu segundo álbum, e as tocou para um público de 90 mil pessoas em cada uma das noites.

Dois anos se passaram, e o músico, agora com 26 anos, continua sem tempo para arranjar uma banda própria.

De lá pra cá, tornou-se um dos artistas mais rentáveis da indústria, tendo vendido mais de 22 milhões de álbuns ao redor do mundo e faturado mais de 90 milhões de dólares –uma faca de dois gumes, diz.

Neste ano, quebrou mais recordes com “÷” (lê-se “Divide”), álbum com o qual liderou o topo das paradas em 14 países e que traz ao Brasil.

Na última terça (23), Sheeran lotou de adolescentes e pais a Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba,onde deu a seguinte entrevista à Folha.

O artista ainda passaria pelo Rio de Janeiro, nesta quinta (25), e se apresenta em São Paulo neste domingo (28), antes de encerrar sua vinda em Belo Horizonte, na terça (30).

Folha – Por que a escolha de se apresentar sem uma banda?
Ed Sheeran – Eu comecei sozinho com um loop pedal aos 14 anos e não podia manter uma banda, era só eu e minha guitarra. Consegui um contrato com a gravadora e eu não tive mais tempo de montar uma banda. E acontece que em todos os estágios da minha carreira, nunca tive tempo de fazer isso de maneira adequada. Uma vez que você toca no estádio de Wembley, você se pergunta: “Bom, por que preciso de uma banda?”. É bom ter algo que ninguém mais pode fazer nesse nível, sabe? É bom ser o único que pode fazer isso.

Você é conhecido como um dos mais produtivos compositores de hoje. No que suas letras diferem de hits atuais?
Se escrevo para outra pessoa, definitivamente será com essa mentalidade [da indústria], mas, se estou fazendo minhas próprias coisas, tendo a ser mais pessoal, escrevo para me sentir melhor mais do que para fazer um hit. É bom poder fazer os dois.

Você já deixou de compor algo do jeito que gostaria porque não conseguiria reproduzir no palco?
Já, mas sempre dá-se um jeito. Quando eu compus “Sing”, por exemplo, eu pensei “não sei como vou fazer isso no palco”, mas há sempre um jeito.

Você, assim como seu irmão [o compositor de música clássica Matthew Sheeran], costuma ouvir música clássica?
Não entendo muito. Gosto mais da música clássica mais pop, se é que você me entende. São dois mundos diferentes, mas ele [Matthew] gosta de música pop e consegue trabalhar nesse universo também, ele é bom nisso.

Como o dinheiro mudou a sua vida?
A única coisa que isso faz é tirar preocupação de amigos e familiares quanto a não ter que se preocupar com as contas. Essa é a coisa boa que eu acho que o dinheiro traz. Mas é uma faca de dois gumes, embora eu tenda a não olhar para o lado ruim, pois não faz sentido, você deveria só focar no lado positivo da vida. Eu definitivamente mudei, ninguém permanece o mesmo.

Isso é suficiente para que a fama valha a pena? Suas crises de ansiedade passaram?
Foi por isso que tirei um tempo, mas acho que é uma questão de equilíbrio mais do que qualquer coisa. Estou mais equilibrado agora, realmente gosto de fazer turnês, acho muito legal. Não parei de ter [crises de ansiedade], mas não tenho o tempo todo, apenas quando estou em grandes grupos de pessoas.

Como quando está no palco, por exemplo?
É diferente. Eu não posso estar em uma multidão, mas posso olhar para uma multidão. Quando estou no meio, me sinto claustrofóbico, essa é a diferença. Quando você está no palco, a uma distância de dez metros, é completamente diferente. Por exemplo, ficar no aeroporto me deixa ansioso.

Você disse saber que “Shape of You” faria mais sucesso agora, mas que “Castle on the Hill” seria a música pela qual seria lembrado daqui a 20 anos. Por que acha isso?
É algo que eu simplesmente sei. Só estou na indústria há seis anos, mas vejo canções se tornarem as maiores do mundo e em um período de três anos serem lembradas, mas não com o mesmo poder. Ao mesmo tempo, uma canção como “Somebody That I Used To Know”, da Gotye, é uma que eu acho que vai resistir ao tempo, ou “Stay With Me”, de Sam Smith. Para mim, “Castle on the Hill” faz mais isso do que “Shape of You”.

A indústria é assim previsível?
Não acho que a indústria seja previsível, mas você sabe o que é um clássico e o que não é. Eu amo “Shape of You”, mas sei que não é um clássico, não é uma “Tiny Dancer” para Elton John, ou “Hey Jude” para os Beatles. É apenas muito boa para esse momento.

E você não se importa?
Não ligo, todo artista precisa de canções assim. Ao longo da minha carreira, tive canções que foram muito bem no rádio e que significaram muito para mim, mas que não eram as preferidas dos fãs. Acho que são essas, as preferidas dos fãs, que perduram, porque elas significam algo para mais gente. As que tocam no rádio são porta de entrada para que conheçam as outras, que podem resistir ao tempo, se é que isso faz sentido.

Recentemente “÷” foi desbancado pelo novo álbum de Harry Styles. Você se importa com essas coisas?
Meu álbum ficou dez semanas no topo, é claro que não vai ficar para sempre em primeiro. Sempre soube que ele lançaria neste ano. Todo artista traz certa competição, é o que deixa as coisas divertidas.

 

Fonte: Folha de São Paulo